Autora: Maria Júlia Souto (cardiologista e especialista em imagem cardiovascular)
Seguimos impactados pelos trials apresentados no ESC 2026.
Dentre eles, precisamos falar do CMR-GUIDE, que trouxe uma hipótese no mínimo interessante: foi o primeiro estudo randomizado a testar se a presença de realce tardio na ressonância magnética teria benefício para indicar o implante de CDI em pacientes com fração de ejeção entre 36% e 50%.
O resultado, entretanto, foi menos simples do que a hipótese inicial: embora o CDI tenha reduzido a ocorrência isolada de morte súbita, não houve redução significativa do desfecho primário composto de morte súbita ou arritmia ventricular hemodinamicamente significativa.
O estudo não encerra o papel da ressonância na avaliação das arritmias, inclusive traz mais dúvidas: até onde vai o papel desse método como marcador prognóstico e na indicação de intervenção nos quadros arrítmicos?
Nesta edição, revisamos o que a RMC acrescenta à investigação das arritmias, como interpretar a cicatriz miocárdica e por que a presença isolada de realce tardio talvez ainda não seja suficiente para indicar um CDI.


