Autor: Raquel Rios(cardiologista e eletrofisiologista pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia)
A síncope vasovagal é a forma mais comum de síncope e também uma das mais frustrantes de tratar.
Para a maioria dos pacientes, é um evento benigno e esporádico. Mas existe um subgrupo de pacientes em que a síncope é recorrente, debilitante, sem pródromos. Isso faz com que o paciente viva sob o medo constante da próxima queda. Para esses, o tratamento clínico (aumento da ingesta hídrica, manobras de contrapressão, fludrocortisona, midodrina) frequentemente falha.
Quando o componente vasodepressor predomina, não temos muita saída. A terapêutica clínica é a primordial.
Mas quando o componente cardioinibitório é o culpado, surge o dilema: marca-passo? Em pacientes jovens, com coração estruturalmente normal, a ideia de implantar um dispositivo permanente “para compensar a bradicardia” incomoda pensando no longo prazo.
Para pacientes com síncope recorrente, > 40 anos de idade e documentação de pausa sintomática espontânea >3s (pausa sinusal e/ou BAV) ou pausa >6s assintomática, a diretriz Brasileira de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis (DCEI) – 2023 traz a recomendação de implante de marca-passo como IA enquanto a Européia de 2018 recomenda o implante como IIA.
O dilema permeia os pacientes jovens, que não são contemplados nas diretrizes e não há recomendação robusta de pace.
Será que existe uma alternativa ao marca-passo?
Bem-vindo à cardioneuroablação (CNA), uma técnica que nasceu no Brasil, ganhou o mundo e, em 2024, recebeu seu primeiro documento de consenso internacional pela EHRA, HRS, APHRS e LAHRS.
Nesta Prime, vamos destrinchar o que essa técnica tem de melhor: a fisiopatologia que a sustenta, como selecionar o paciente certo, como o procedimento é feito na prática e o mais importante quando você, como cardiologista, deve pensar nela antes do marca-passo.
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