Delirium na Medicina Cardiovascular
Plantão sim e plantão também você terá esse problema
Autora: Maria Júlia Souto (cardiologista e especialista em imagem cardiovascular pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia)
Talvez, se você passasse rapidamente pela última revisão do European Heart Journal sobre Delirium na Medicina Cardiovascular, esse não seria o primeiro artigo que você escolheria para ler.
Até chegar no plantão naquela mesma semana.
E às 03h17 da manhã o telefone tocar.
“Doutor(a), o senhor do leito 12 está muito confuso…”
Você desce, encontra aquele “vô” agitado, arrancando monitor, tentando sair da cama. Ou pior: hipoativo, sonolento, desconectado do mundo, e quase ninguém percebeu.
É justamente ali, no silêncio desconfortável da madrugada, que começam as perguntas:
“Preciso mesmo medicar? Se for medicar, qual é a melhor opção para ele não acordar ‘chumbado’ amanhã? Estou deixando passar algum fator desencadeante? Isso muda prognóstico ou é só um evento transitório?”
A verdade é que, plantão sim, plantão também, vamos nos deparar com esse cenário, especialmente na cardiologia moderna, cada vez mais intervencionista, mais idosa e mais complexa.
E é exatamente por isso que essa revisão do European Heart Journal merece nossa atenção.
Delirium não é apenas “confusão do idoso”. É marcador de pior prognóstico, maior mortalidade, declínio cognitivo persistente e aumento do tempo de internação.
Nesta DozePrime, vamos organizar o caos da madrugada. Vamos nessa? 🚀


