Diagnóstico e Tratamento da IC FEp - Consenso do ACC 20206
ICFEP não é mais um diagnóstico de exclusão. E o tratamento também mudou.
Autora: Maria Júlia Souto (cardiologista e especialista em imagem cardiovascular)
Há poucas semanas discutíamos por aqui a Segunda Definição Universal da Insuficiência Cardíaca, que trouxe uma importante mudança de paradigma.
Em vez de enfatizar valores específicos da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), o documento propôs uma visão mais prática e alinhada à realidade clínica, agrupando os pacientes em três grandes fenótipos: insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, preservada e melhorada.
É hora de deixarmos de enxergar a insuficiência cardíaca como uma doença “engessada”, definida apenas por um ponto de corte da FEVE. Hoje, ela passa a ser entendida como uma síndrome clínica, cujo diagnóstico depende da integração entre sintomas, sinais, alterações estruturais e contexto clínico, e não apenas de um número no ecocardiograma.
O foco deixa de ser um valor isolado e passa a ser o comportamento da doença e seus diferentes fenótipos.
Com essa mudança de perspectiva, era inevitável revisitar justamente o grupo que mais evoluiu nos últimos anos: a insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp).
Então, se a FEVE isoladamente já não é suficiente para definir a doença, como estabelecemos o diagnóstico? E, mais importante, como essa nova forma de enxergar a ICFEp modifica o tratamento?
Foi exatamente para responder a essas perguntas que o American College of Cardiology (ACC) publicou, em pré-print no Journal of the American College of Cardiology (JACC), o novo consenso para o diagnóstico e manejo da ICFEp.
É esse documento, e as principais mudanças que ele traz para a prática clínica, que vamos revisar a partir de agora.



