Autora: Maria Júlia Souto (cardiologista e especialista em imagem cardiovascular pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia)
Talvez você esteja lendo este e-mail com um certo ceticismo, olhando para a tela do celular ou do computador e pensando:
“Sério que vamos falar disso?”
Afinal, por que discutir endomiocardiofibrose (EMF) quando existe uma longa lista de miocardiopatias muito mais prevalentes, frequentes no dia a dia e, sejamos sinceros, bem mais “atuais” para revisar?
Justamente por isso (!).
De tempos em tempos, eu gosto de trazer para a DozePrime um tema que provavelmente ficou esquecido em alguma gaveta da sua memória. Aquele diagnóstico que você até estudou um dia, talvez na faculdade ou na residência, mas que nunca mais voltou ao radar (e que, por isso mesmo, acaba não sendo lembrado quando deveria).
E a prática clínica é cruel com quem não lembra: diagnóstico que não vem à cabeça simplesmente não existe.
Em um país grande, diverso e desigual como o Brasil, há doenças que são muito mais comuns do que imaginamos. E se elas não estiverem “frescas” na nossa memória clínica, passam batidas.
É nesse contexto que entra a EMF.
Nesta revisão, vamos revisitar a doença com um olhar atual, clínico e pragmático, apoiados nas principais referências recentes sobre o tema, incluindo:
a revisão da Nature Reviews Cardiology sobre os avanços recentes e possíveis terapias-alvo na endomiocardiofibrose;
e uma revisão do RadioGraphics com foco no diagnóstico por meio da ressonância magnética cardíaca.
Respira fundo 😮💨 . Essa é daquelas leituras que fazem você repensar alguns pacientes do passado… e reconhecer outros no futuro.


