Autor: Mateus Prata (Emergência Cardiovascular e Cardiologia Intervencionista)
Seu paciente chega no consultório com um vidro de ômega-3 importado, do tipo “1.500 mg de EPA + DHA por cápsula”, comprado depois de ouvir uma propaganda na rádio.
Ele te olha esperando confirmação: “é bom pro coração, né, doutor?”
Por décadas, a resposta automática foi “é, talvez ajuda”. Hoje, a resposta honesta exige um pouco mais de cuidado.
O mercado global de ômega-3 movimentou cerca de US$ 8,2 bilhões em 2024 e tem projeção de chegar perto de US$ 17 bilhões até 2032.
Quase nenhuma intervenção em prevenção cardiovascular foi tão estudada, tão recomendada e, como veremos, tão mal interpretada.
Nessa edição da PRIME, vamos revisar:
A origem do hype (e o que ele tinha de verdade);
O básico da bioquímica em 60 segundos;
Os grandes ensaios de baixa dose: VITAL, ASCEND, OMEMI e cia;
A grande aposta da alta dose: REDUCE-IT vs STRENGTH;
O risco mais subestimado: ômega-3 e fibrilação atrial;
PISCES — o ensaio que reabriu a discussão;
O que dizer (e o que prescrever) no consultório.
Vamos lá?


