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Remodelamento Cardíaco e Fração de Ejeção Melhorada

Da fisiopatologia ao dilema da retirada terapêutica

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Doze por Oito
fev 12, 2026
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Autor: Raphael Rossi (cardiologista e preceptor do setor de coronariopatias do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia)

Vamos começar pelo óbvio porque, quando se trata de IC, até o óbvio parece ser polêmico.

Faz tempo que a IC deixou de ser um diagnóstico estático, carimbado por um número de fração de ejeção.

Se você só passa o olho na FEVE no ECO sem checar os demais parâmetros, já passou da hora de rever os seus conceitos rs.

Hoje, ela é corretamente entendida como uma síndrome clínica dinâmica, resultado da interação contínua entre alterações estruturais e/ou funcionais do coração e respostas neuro-hormonais sistêmicas, com expressão clínica variável ao longo do tempo.

A Definição Universal de Insuficiência Cardíaca (2021) foi um passo importante justamente por colocar ordem nesse raciocínio:

IC é síndrome clínica, sustentada por evidência estrutural ou funcional e corroborada por biomarcadores e/ou congestão objetiva.

Parece simples, e é. Mas muda tudo.

Essa definição é particularmente relevante porque:

  • tira a fração de ejeção do pedestal isolado,

  • incorpora biomarcadores de forma estrutural,

  • e, principalmente, reconhece a IC como um continuum fisiopatológico, que vai do risco à doença avançada.

Do ponto de vista epidemiológico, nada animador: a IC é uma epidemia silenciosa, afetando mais de 64 milhões de pessoas no mundo. E a tendência é somente de crescimento com o envelhecimento populacional e com o sucesso no tratamento de infartos e demais miocardiopatias.

O paradoxo é conhecido: salvamos mais corações, e convivemos mais com insuficiência cardíaca. As taxas de mortalidade seguem comparáveis às de muitos cânceres sólidos.

Nesse cenário, a terapia guiada por diretrizes mudou o jogo. Cada vez mais pacientes melhoram a função ventricular esquerda, criando novos fenótipos clínicos que desafiam classificações antigas e decisões terapêuticas automáticas.

É esse o tema que iremos discutir a partir de agora.

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