Tempestade Elétrica
O Novo Posicionamento da SBC e SOBRAC refinando a conduta na emergência
Autor: Raquel Rios(cardiologista e especialista em eletrofisiologia e estimulação cardíaca artificial)
A tempestade elétrica (TE) é uma das emergências cardiológicas mais temidas e que amedronta grande parte dos cardiologistas.
Não é por menos: sua letalidade pode chegar a 14% nas primeiras 48 horas.
A definição, por sua vez, é bem simples:
≥ 3 episódios de taquicardia ventricular sustentada (TV), fibrilação ventricular (FV) ou choques apropriados do cardioversor-desfibrilador implantável (CDI) em 24 horas, sendo esses episódios separados por pelo menos 5 minutos.
Você já deve ter entendido: a abordagem precisa ser rápida e multidisciplinar.
Ficou preocupado? Calma, acabamos de ganhar um aliado poderoso: o Posicionamento sobre Diagnóstico e Tratamento da Tempestade Elétrica – 2026, lançado conjuntamente pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia.
Esse documento sintetiza evidências atualizadas e oferece algoritmos práticos para emergencistas, arritmologistas e intensivistas.
Ele vai além dos guidelines internacionais (como o AHA/ACC/HRS 2017) porque incorpora realidades brasileiras como a alta prevalência de cardiomiopatia chagásica.
Vamos destrinchar os pontos principais, com foco na aplicação clínica imediata, e o mais importante, sistematizar a conduta no manejo da tempestade elétrica.
Este é o nosso objetivo nesta Prime: nortear o seu passo a passo na emergência e tentar descomplicar o que já é naturalmente “tempestuoso”.


