Autora: Fernanda Justo (fellow em reabilitação cardiovascular e fisiologia do exercício (InCor-USP))
Estamos vivendo muitas transformações sociais atualmente.
E talvez o mais curioso seja perceber como é difícil enxergar claramente uma revolução enquanto ela acontece.
Minha avó ficava embasbacada com a impressora:
“como é que aquilo que está na tela sai dali e aparece no papel??”
Para quem cresceu com FAX, impressora e internet discada, isso parecia só… tecnologia.
Hoje acontece a mesma coisa conosco, estamos correndo atrás para nos mantermos a par do que é IA, de como funcionam redes sociais, do que é verdade e do que é fake news.
Se por um lado, a (des)informação passou a se espalhar numa velocidade assustadora, por outro vimos a rápida disseminação de algumas culturas extremamente positivas: bem-estar, atividade física, longevidade, performance.
Todo grupo de amigos agora tem um maratonista e VO₂ virou assunto à mesa. Um parâmetro fisiológico que se tornou quase cultura pop.
E abrindo um breve parêntese aqui: se você leu “VO₂”, se sente perdido e entrou imediatamente em estado de FOMO, recomendo fortemente a Prime de 8 de abril e o DozeCast de 2 de abril, ambos de 2026.
Mas toda transformação coletiva traz efeitos colaterais.
Porque as mesmas redes sociais que popularizaram o esporte também transformaram emergências cardiovasculares em eventos públicos, instantâneos e altamente dramatizados.
Uma parada cardíaca em um atleta deixa de ser apenas um evento médico. Ela vira manchete e pauta para achismos de toda sorte.
E isso nos obriga, como comunidade médica, a responder. Não apenas combatendo alarmismo, mas criando sistemas melhores de prevenção e resposta.
📚 É exatamente aqui que entra o novo Posicionamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Emergências Cardiovasculares em Eventos Esportivos – 2026.
E talvez o grande mérito desse documento seja justamente este:
tirar a discussão do campo do medo… e trazer para o campo da preparação.
E para discutir este posicionamento vamos separá-lo em duas frentes:
para reduzir a chance de emergências: a importância da avaliação pré-participação;
e como responder adequadamente quando elas inevitavelmente acontecerem.
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